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Uso de suplementos alimentares na prática esportiva: Riscos e benefícios

Emagrecer, ganhar massa muscular ou melhorar a performance são alguns dos motivos pelos quais alguns indivíduos optam pelo uso de suplementos alimentares dentro da rotina de exercícios. Com uma indústria milionária, o cardápio de suplementos é tão vasto quanto os múltiplos benefícios prometidos nos rótulos e propagandas desses produtos.

Mas será que realmente funcionam? E quanto a segurança? Teriam algum risco à saúde?

Nesse artigo vou analisar alguns desses suplementos, tendo em vista aqueles mais utilizados e vendidos para os praticantes de academia.

WHEY PROTEIN - São preparados em pó de proteína derivada do soro do leite da vaca. O consumo de proteína é importante para a manutenção de ganho de massa muscular. A quantidade total diária pode ser obtida pela alimentação, como carnes, ovos, leite e derivados.
Para aqueles que não toleram ou não tem acesso/tempo para se alimentar dessas fontes naturais, pode-se substitui-las pelo “Whey protein”. O uso deste suplemento é seguro, porém, para que se ter benefício, deve ser orientado por um médico ou nutricionista.

MALTODEXTRINA / DEXTROSE: São carboidratos de absorção rápida; podem ser consumidos na forma de gel ou em pó dissolvido na água. Sua função é fornecer energia para a atividade reduzindo a fadiga e melhorando a performance. Estão indicados em exercícios de longa duração (acima de 1 hora) e de maior intensidade. Seu uso não possui risco à saúde, porém é importante que seja orientado por uma nutricionista dentro de um programa alimentar.

BCAA: Os aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, valina e isoleucina), popularmente chamados pela sigla em inglês BCAA (“branched chain amino acids”), são os aminoácidos mais abundantes no músculo esquelético. Eles não podem ser sintetizados pelo corpo humano e são fartamente encontrados nas carnes vermelhas e laticínios. Empresas que comercializam BCAA advogam que reduzem fadiga, melhoram rendimento e preservam a massa muscular. Contudo, apesar de ser muito utilizado por atletas, não há evidência científica que comprove sua eficácia.

GLUTAMINA: A glutamina é um aminoácido que tem papel no funcionamento normal de nossas células do sistema imune. Alguns atletas usam a glutamina com o objetivo de recuperação muscular e, principalmente, melhorar a resposta imunológica. No entanto, não há comprovação científica de que glutamina estimule a síntese proteica, diminua a perda de massa magra ou ainda que promova melhora do sistema imunológico.

CREATINA: A creatina é uma substância natural derivada de 3 aminoácidos. No músculo, ela é armazenada na forma de fosfocreatina, que fornece energia para exercícios de alta intensidade e curta duração (musculação). Assim, a suplementação com creatina aumenta a taxa de síntese de fosfocreatina durante a recuperação entre as sessões de exercício intenso melhorando a performance e recuperação. O único efeito colateral descrito na literatura é o ganho de peso, que é consequência da retenção hídrica que a creatina provoca. Não há evidência de que a creatina afete a função dos rins. Estudos com altas doses com duração de mais de 5 anos não mostraram qualquer prejuízo. Mesmo assim, é recomendada uma avaliação médica e orientação nutricional antes de utilizar esse tipo de suplemento.

TERMOGÈNICOS: Os chamados “termogênicos” são produtos amplamente utilizados por frequentadores de academia. Eles prometem a “queima” de gordura pelo aumento da termogênese (gasto calórico) do exercício. Ocorre que, apesar do usuário ter a sensação de que está “queimando” mais calorias, esse efeito não acontece. Esta sensação ocorre porque os estimulantes (como a cafeína), presentes nesses produtos, promovem aceleração do batimento cardíaco e aumento da sudorese. No entanto, ainda que exista a comprovação de que a cafeína ajude na recuperação e redução da sensação de fadiga no exercício, ela não promove perda de peso. Há relatos de efeitos colaterais com o uso de termogênicos devido a alta quantidade de cafeína em sua composição. Assim, indivíduos mais sensíveis a esses estimulantes devem ter muita cautela ao utilizá-los.

Dr. Rafael Pergher - CRM 116112- Endocrinologista