Blog

Vitamina D: o que você precisa saber!

Vitamina D (abreviada 25(OH)D) é provida em certos alimentos, mas não é unicamente uma vitamina, visto ser produzida pelo organismo humano em quantidade potencialmente suficiente; sob este aspecto ela é entío um hormônio, como muitos outros que produzimos.

A pele exposta ao sol converte um derivado do colesterol (pró-vitamina D3) em vitamina D3 (colecalciferol ou 25(OH)D); esta  é transportada pela circulação ao fígado aonde é modificada, e deste aos rins, aonde é convertida em 1,25-dihidroxivitamina D3, que é sua forma ativa. Sob esta última forma atua em diversos órgíos com a principal função de regular o cálcio, tanto estimulando sua absorção intestinal, reabsorção pelos rins, quanto fixando cálcio nos ossos. Por isto, a vitamina 25(OH)D previne algumas doenças ósseas: raquitismo (geralmente ocorrendo na infância) e, no adulto, a osteomalácia (rara), e a osteoporose (freqüente), esta particularmente em idosos expostos a maior risco de fraturas.

Por advir de exposição ao sol, seria necessário 25(OH)D na alimentação?
Tem sido sugerido que exposição direta ao sol do meio dia por apenas 5 a 15 minutos na face, e membros superiores, em dias alternados mas ao longo de toda a vida, provê quantidade adequada de 25(OH)D (1), porém isto não é a realidade do ser humano moderno, inclusive em nosso meio, por várias razões. Em países frios o sol é definitivamente insuficiente no inverno, como no Japío (2), e mesmo em climas favoráveis (tropicais e subtropicais) como na Austrália (3) e no Líbano (4). Também, maior exposição é necessária quanto mais escura for a pele e particularmente em idosos (5, 6), pois sintetizam menos 25(OH)D, além das gestantes, por transferi-la para o feto (7). Não é produzida quando o sol é tomado usando-se protetores solares, ou através de vidro (eles bloqueiam a radiação ultravioleta que sintetiza a vitamina na pele). Em nossas vidas “civilizadas” variações do clima impedem esta rotina de exposição ao sol, inclusive no Brasil aonde detectamos com muita freqüência valores baixos desta vitamina no sangue.

Vitamina D3 baixa no sangue tem relação com outras doenças?
Nos últimos anos tem sido mostrado no exterior que baixas concentrações dela no sangue se relacionam com algumas doenças muito comuns, tais como: maior necessidade de insulina em diabéticos dependentes de insulina (Tipo 1), risco de doença coronariana provocando infarto do miocárdio (8), como também de câncer, hipertensão, diabetes tipo 2 e doenças autoimunes e infecciosas, inclusive tuberculose (1). Entretanto, devemos ser cautelosos quanto a estas informações pela falta de comprovações de que o tratamento com vitamina D3 produza beneficio efetivo em tais doenças (9).

Vitamina D3, exposição ao sol e câncer de pele: um dilema não resolvido
Embora a incidência de câncer em geral seja maior em pessoas com 25(OH)D baixa no sangue, para manter sua produção adequada na pele há necessidade  de exposição ao sol o que, por sua vez, confere maior risco de câncer de pele (basocelular e melanoma), além de catarata e pterígio, o que tem sido fartamente demonstrado (10 ). Curiosamente, foi também relatado na Suécia que evitar tomar sol promove aumento na mortalidade geral naquela população (11). Portanto, este problema tornou-se um verdadeiro paradoxo na medicina (1, 12).

Como conciliar tudo isto em benefício da população?
Para conciliar carência de exposição ao sol ocasionando sua baixa no sangue em pessoas sujeitas a complicações decorrentes disto, como insuficiência renal, raquitismo e, osteoporose, deve-se suprir vitamina D3 na alimentação. Porém, este suprimento diário, que se aconselha variar de 400 a 1200 unidades internacionais (UI) da vitamina (correspondentes a 10mcg e 30mcg), é complicado devido a nossos hábitos alimentares (13); a quantidade de UI provida por 100 g de alimentos de origem marinha é: salmío pescado no oceano (981), peixe espada (447), truta (371), salmío cultivado em fazenda marinha (249), atum (164), bacalhau (80), mas todos os demais contém bem menos vitamina D3. Alternativa é tomar cápsulas da vitamina D3, mas é essencial medir periodicamente a concentração desta no sangue tendo em vista o risco de intoxicação (hipervitaminose).

Concentrações de 25(OH)D no plasma entre  30 ng/mL e 60 ng/mL são as desejadas (7) e atingidas com as doses orais. No caso de osteoporose é importante que seja associada à ingestío de 1000 a 1500 mg de cálcio por dia (1). 

*Referências: 1) Holick MF. J. Nutr. 126:11598 (1996); 2) Miyauchi M. J Nutr Sci Vitaminol (Tokyo).59(4):257 (2013); 3) Vu LH. Photochem Photobiol. Jun;87(3):714 (2011); 4) Hoteit M. Metabolism 63:968 (2014); 5) Cashman KD. Am J Clin Nutr. 89(5):1366 (2009); 6) Brouwer-Brolsma EM. Osteoporos Int. 24(5):1567 (2013); 7) Hollis BW. Curr Opin Endocrinol Diabetes Obes. 18(6):371 (2011);  Giovannucci E.. Arch Intern Med. 168(11):1174 (2008); 9) Schnatz PF. Clin Chem. 60(4):600 (2014); 10) Lucas RM. Int J Epidemiol. 37(3):654 (2008); 11) Lindqvist PG. J. Internal Medicine. 276:77(2014); 12) Reinhold U. Onkoderm e.V. Oncol Lett. 4(6):1392 (2012); 13) Chen TC. Arch. Biochem. Biophys. 460(2): 213 (2007).

Prof. Dr. Eder C R Quintío
Endocrinologista
CRM 8716