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Hiperparatireoidismo Primário

Hiperparatireoidismo primário ( HPTP ) é uma condição clínica que se caracteriza pela produção excessiva de paratormônio ( PTH ), causada por distúrbio funcional de uma ou mais glândulas paratireóideas, em um indivíduo com função renal normal. As paratireóides são quatro pequenas glândulas localizadas normalmente localizadas atrás da glândula tireóide.

Constitui a causa mais comum diagnosticada ambulatorialmente de aumento do cálcio ( hipercalcemia )  e deve sempre ser considerada como diagnóstico diferencial em todos os casos de hipercalcemia. Pode ocorrer em qualquer idade, porém, é mais frequente entre os 40 e 65 anos e mostra-se pouco frequente na adolescência e menos ainda na infância. Predomina no sexo feminino numa proporção de 3:1

A causa mais comum ( cerca de 80% a 90% dos casos ) é o desenvolvimento de um  tumor ( adenoma ) benigno em uma das glândulas paratireóideas. Adenomas múltiplos são raros ( menos de 5% ), bem como carcinomas ( menos de 1 % ).

O HPTP pode se apresentar na forma sintomática caracterizada por cálculos renais ( nefrolitíase ) e doença óssea ( osteíte fibrosa cística, diminuição da massa óssea ) ou, mais comumente, na  forma assintomática caracterizada por ausência de envolvimento ósseo e renal. Os pacientes com HPTP assintomático podem apresentar sintomas vagos ou inespecíficos, tais como fraqueza muscular, cansaço fácil, depressão, distúrbios da memória e desidratação. Atualmente, a maioria dos pacientes ( 80% a 90% ) tem a forma assintomática – sendo o HPTP um achado quando se diagnostica hipercalcemia em exames de rotina.

O diagnóstico laboratorial do HPTP é caracterizado pela associação da hipercalcemia com a elevação do PTH. A rotina diagnóstica inclui a dosagem sérica de cálcio, fósforo, albumina, fosfatase alcalina, PTH, 25(OH)vitD, uréia e creatinina. A urina de 24 horas deve ser coletada para a dosagem de cálcio e do clearance da creatinina. Este clearance é uma medida da função renal. Pode-se realizar cintilografia de paratireoides na tentativa de se detectar o adenoma. Para investigação das manifestações ósseas do HPTP os pacientes devem ser submetidos a um inventário ósseo radiológico e a desintometria óssea. Além disso, deve ser pesquisada a presença de cálculos renais com ultra-sonografia.

O tratamento definitivo do HPTP é a cirurgia com retirada do adenoma a qual está indicada nos pacientes com nefrolitíase ou doença óssea. Também são candidatos a cirurgia os pacientes com HPTP assintomático que se enquadrem nas seguintes situações: cálcio que ultrapasse a  1 mg/dl acima do limite superior da normalidade, osteoporose diagnosticada em desintometria óssea ( T- escore < -2,5 ) ou fratura óssea por fragilidade, clerance de creatinina < 60 ml/min e idade < 50 anos. Os  pacientes que não preenchem critérios para indicação cirúrgica devem seguir acompanhamento regular com o médico endocrinologista o qual irá avaliar a indicação de alternativas medicamentosas que visam estabilizar o nível sérico de cálcio.

Dra.Tatiana Denck Gonçalves
Endocrinologista
CRM 127.265


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