Blog

Hiperfunção adrenal

As Supra-renais (ou simplesmente adrenais) são duas glândulas localizadas logo acima dos rins, apresentando formato triangular. São formadas por duas camadas: a córtex (periférica) e a medula (central).

A medula é responsável pela produção de adrenalina e noradrenalina que, entre outras funções, regula os batimentos cardíacos e a pressão arterial. Alterações na medula são muito raras (geralmente tumores).

A córtex produz hormônios (corticosteróides e a aldosterona) que controlam várias atividades do organismo, entre elas regulam a glicose (açúcar) do sangue e os sais (cloreto de sódio) e fluidos do corpo. Para avaliar sua importância basta lembrar que a maior parte de nosso peso é formada de água na qual os sais se dissolvem.

A córtex também produz parte dos hormônios sexuais do organismo, principalmente os hormônios masculinos (por isto chamados androgênicos).

O aumento da função adrenal é uma situação aonde as glândulas apresentam maior  produção de um ou mais hormônios. Os sintomas e o tratamento dependem de quais hormônios estío em excesso como mostram alguns exemplos abaixo:

Hormônios androgênicos - podem provocar maior característica masculina tanto em homens quanto em mulheres, porém mais perceptíveis nestas. Os sintomas mais comuns são aumento de pêlos em face e corpo, acne, “voz grave” nas mulheres, calvície nos homens.

Aldosterona - pode levar a um aumento da pressão arterial e sintomas da redução dos níveis de potássio, tais  como espasmos musculares, fraqueza, câimbra e até paralisia em alguns casos.

Corticosteróides - caracterizam a chamada Síndrome de Cushing que pode decorrer de tumores benignos e malignos ou produção em excesso de hormônios em outros locais (extra-adrenais) e que controlam a função adrenal. Estes tumores extra-adrenais podem se localizar tanto na hipófise (glândula que fica na base do cérebro e que comanda todas as demais), quanto fora da hipófise, como no  pulmío.

Os sintomas principais da Síndrome de Cushing são: obesidade que predomina no tronco e pescoço, mai com braços e pernas relativamente finos, face arredondada dando a impressão de lua cheia, aumento de pressão arterial, pele fina sujeita a formação de hematomas, estrias avermelhadas em abdome, coxas, braços e mamas, fraqueza, diabetes, alteração do humor e irritabilidade, osteoporose, aumento de pelos e alteração de ciclos menstruais em mulheres.

Diagnóstico
  • Para se fazer diagnóstico de hiperfunção adrenal, além da história clínica e do exame físico, alguns procedimentos são fundamentais:
  • Exames de sangue e urina para medir os níveis hormonais.
  • Testes dinâmicos hormonais que auxiliam no reconhecimento do local da produção excessiva do hormônio.
  • Exames de imagem como: Tomografia Computadorizada e/ou Ressonância Magnética para localização de tumores.

Em geral o diagnóstico é conseguido pelo conjunto destes exames.

Tratamento
Depende de qual a causa da doença e de vários fatores, tais como: o estado clínico, extensão da doença, tolerância ao uso de medicações, e expectativa de cura da doença. O tratamento pode ser cirúrgico para remoção de tumores nas adrenais, ou nos outros órgíos, ou por medicamentos para bloquear a produção dos hormônios produzidos em excesso. Sempre é importante discutir com seu médico qual a melhor opção terapêutica para seu caso.

Dr. Sergio Gomez
Endocrinologista
CRM 83880