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Biotesiometria (avaliação da sensibilidade)

Diabéticos estío sujeitos a várias complicações clínicas, destacando-se alterações renais, oftalmológicas, vasculares e neurológicas. A freqüência destas complicações é de tanta importância que diabetes melito é a principal causa de transplantes renais por insuficiência renal, cegueira por retinopatia e de  amputações de membros por doença vascular periférica.

Estas complicações são resultantes de mau controle do diabetes que provoca uma alteração difusa dos capilares em todo o organismo, chamada microangiopatia diabética. Daí a necessidade do controle rigoroso da glicemia para prevenção da mesma.

Dentre estes exames para avaliação do grau de controle do diabete melito estío:

  1. no sangue: hemoglobina glicosilada e glicemia ocasional, além do  holter de glicose (medida contínua da glicemia durante 2 a 3 dias utilizando microcatéter subcutâneo);
  2. na urina: microalbuminúria;
  3. fundo de olho para detectar a retinopatia;
  4. avaliação neurológica da sensibilidade.

A avaliação da sensibilidade é feita de rotina no consultório e consiste de dois tipos:
1-sensibilidade tátil usando estiletes de plástico (monofilamentos);
2-sensibilidade profunda, também chamada vibratória, usando vibração sobre os ossos produzida  por um simples diapasão manual, do tipo garfo.

O método do diapasão é muito sensível para detectar a neuropatia, porém sujeito a erro pelo fato da sensibilidade depender da intensidade e da freqüência da vibração que é apenas uma, imutável, no diapasão manual.  Por esta razío deve-se usar o diapasão eletrônico que produz vibração com intensidade e freqüência rigorosamente controladas. Este equipamento chama-se Biotesiômetro.

A maior vantagem do biotesiômetro é o fato de dificultar que o paciente se deixe influenciar por fator subjetivo na percepção da vibarção. Isto é conseguido pelo fato do examinador proceder a avaliações em duas etapas:

1) começa com intensidade muito baixa, aumentando lentamente  até que o paciente informe ser capaz de detectá-la (detecção ascendente);

2) inicia com intensidade maior, facilmente perceptível, e vai reduzindo até que o paciente deixe de detectá-la (detecção descendente).

Outra vantagem da biotesiometria é a de ser realizada pela enfermagem, poupando muito tempo do médico e permitindo, assim, difundir o emprego deste procedimento extremamente útil.

Como o exame é feita e seus resultados registrados?

São vários os pontos do corpo nos quais a superfície óssea está coberta apenas pela pele, como a cabeça, a parte óssea do nariz, o mento, mandíbulas, clavículas, costelas e demais ossos do tórax, antebraços, bacia, pernas,  pés e dedos das míos e dos pés.

Cada ponto listado é pesquisado, como mostra a figura abaixo, e os dois valores (ascendente e descendente) das vibrações  percebidas são anotados; por isto o exame leva aproximadamente 40 minutos.  O laudo produzido mostra os dois valores e a média deles o que permite comparar com aqueles obtidos em pessoas saudáveis, como mostra a tabela abaixo.

Para detecção precoce e acompanhamento da  neuropatia usamos na prática as medidas sobre os membros superiores e inferiores que são os mais precocemente afetados.

Na Endoclínica a biotesiometria é realizada com o aparelho Biothesiometer da Bio-Medical Instrument Co, Ohio, EUA. Ele é formado por uma caixa que gera a vibração e por um vibrador que consiste em uma ponteira de plástico segura pela enfermeira e que pousa suavemente sobre a pele sem nenhum desconforto.

Biotesiometria é um dos vários exames simples e altamente eficientes oferecidos pela Endoclínica.

Prof. Dr Eder C R Quintío
Endocrinologista
CRM 8716